quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fusca em versos

Meus amigos, hoje eu cheguei em casa com uma notícia muito triste sobre um acidente aqui em Poços, ocorrido ontem à noite. Nesse acidente morreram dois jovens e outros dois estão em estado grave. Fiquei pensando na falta de amor à vida que ronda nossa juventude, ou melhor, creio que já tomou conta da maioria. Por alguns minutos olhei meu Fusca e pensei no quanto eu adoro esse carrinho. Ando com cuidado, mesmo porque é o único veículo que tenho para andar no momento, até que minha casa esteja pronta e aí comprarei outro carro. Se todos tivessem um pouco mais de carinho com seus carros e por consequência, pela vida, talvez menos jovens morreriam hoje em dia, vítimas da competição idiota, dos rachas, da necessidade de provar alguma coisa para algum outro idiota. Estou com 53 anos e não sei até onde irei. Talvez amanhã ou daqui há pouco eu escorregue numa casca de banana e morra. Será imprudência? Talvez, mas não que eu tenha procurado por isso. Talvez cada um tenha sua hora de partir, mas prá que antecipar isso? 


Talvez não tenha nada a ver uma coisa com outra, mas foi com esses pensamentos que escrevi essa "poesia", se é que se pode chamar disso. Eu amo o Fusca, mas acima de tudo eu  amo muito minha família e por fim me amo muito também!  



Sou o inverso do avesso
O paradigma do paralelo
A imperfeição do design

Sou a imagem da distorção que deu certo
O sonho de muitos
E a abjeção de outros tantos

Minha forma desperta paixões
Sou a antítese da perfeição
Apesar de perfeito ser

Em mim se encontram as diferenças
Sou diferente do contexto
A diferença me acompanha

Sou hoje o que se desejava
E apesar da idade, tornei-me um ícone
Hoje sou respeito, minha idade isso permite
Prepotência ou abuso?

Sou contemporâneo
Apesar de não ter tecnologia
Afinal pra que serve isso em mim?

Já andei muito, já muito desbravei
Não vivo de memória, posto que sou atual
Já fui “roceiro”, mas hoje sou objeto de estudo

Tenho linhas sem ter forma
Sou cativante sou a própria forma
E ao mesmo tempo, amorfo

Sou saudade de um tempo que ainda há de vir
Atemporal é o que me define
Indefinido é meu apelido

Tenho vida longa e viverei ainda muito
Sou apaixonante, sem a intenção de ser
Sou feio? Sou desconfortável? Paixão não se explica

Tenho um nome curto
Tão imenso quanto o amor que sentem por mim
Sou o Fusca, imagem do simples
Tão complicado quanto o amor