sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Rock Progressivo (II)

Mais alguns elementos que caracterizam o rock progressivo:

Vocalizações pouco usuais e uso de harmonias vocais múltiplas: Magma, Robert Wyatt e Gentle Giant.

Uso proeminente de instrumentos eletrônicos, particularmente de teclados como orgão Hammond, piano, mellotron, sintetizadores Moog (moog modular e minimoog) e sintetizadores ARP, em adição à combinação usual do rock de guitarra, baixo e bateria. Além disso, instrumentos pouco ligados à estética rock, como a flauta (o mais utilizado destes), o violoncelo, bandolim, trompete e corne inglês. A busca de novos timbres e novos padrões sonoros, conseguidos naturalmente através desses instrumentos ou tratados em estúdios, também sempre foi uma obsessão de seus músicos e admiradores, ávidos por atingirem as portas da percepção sonora.

O uso de síncope, compasso composto, escalas musicais e modos complexos. Algumas peças usam múltiplos andamentos e tempos muitas vezes sobrepostos. O início de "Close To The Edge" do YES é um exemplo claro de polirritmia. A banda King Crimson combina muitas vezes muitos deste elementos na mesma música. Muitas das músicas do Rush são em parte ou completamente na métrica de 7/8. “Dance of eternity” do Dream Theater, tem mudanças de compasso numa sequência de 5/8-5/8-7/8-5/8-7/8-5/8-5/8-7/8.

Enormes solos de praticamente todos os instrumentos, expressamente para demonstrar o virtuosismo e feeling dos músicos, sendo esta o tipo de actuação que contribuiu para a fama de intérpretes como os tecladistas Rick Wakeman e Keith Emerson, os bateristas Neil Peart, Mike Portnoy e Carl Palmer, guitarristas como David Gilmour, John Petrucci e Steve Howie e baixistas como Chris Squire, John Myung e Geddy Lee.

Inclusão de peças clássicas nos álbuns. O Yes, por exemplo, começava os seus concertos com um sampler de “Firebird suite” de Igor Stravinsky e o Emerson Lake & Palmer tocava arranjos de peças de Aaron Copland, Bela Bartok, Modest Mussorgsky, Sergei Prokofiev, Leos Janacek e Alberto Ginastera, e muitas vezes misturavam partes extensas de peças de Johann Sebastian Bach. A banda Marillion começou concertos com “La Gazza Ladra” de Gioacchino Rossini e deram esse nome ao seu terceiro álbum ao vivo. O Symphony X incluiu peças de Beethoven, Gustav Holst e Mozart. Emerson, Lake & Palmer chegaram ao ponto de tocar apenas clássicos, sendo que “Pictures At An Exibition, é o melhor exemplo disso, sendo uma peça de Mussorgsky à qual foi dada um arranjo rock, e acrescentadas letras e músicas compostas pelos intérpretes.
Outros exemplos são “The Barbarian” (um arranjo para piano da peça “Allegro Bárbaro” de Bela Bartok e “Knife edge” (um arranjo com letra da “Sinfonietta” de Leos Janacek em conjunto com “French suite em Ré menor de Bach. Os grupos Renaissance, Omega e diversas outras bandas costumavam inserir trechos de peças barrocas como a "Toccata e Fuga em Ré menor BWV 565" de Bach.

Continua...